Luto na Literatura Brasileira: Morre o Escritor Amazonense Márcio Souza
O autor de "Galvez, Imperador do Acre" e Doutor Honoris Causa da UFAM, título este concedido no dia 29 de novembro de 2022, no Auditório do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais - IFCHS, deixa um legado inestimável para a cultura nacional.

O Brasil perdeu na última segunda-feira, 12 de agosto, uma das personalidades literárias mais representativas da Amazônia. Faleceu aos 78 anos, o escritor, jornalista e cineasta Márcio Souza, conhecido por suas obras que exploram a história e as peculiaridades culturais da região amazônica. Sua partida deixa um vazio irreparável na literatura brasileira e um legado que continuará a influenciar gerações de leitores e escritores.
Nascido em Manaus no dia 4 de março de 1946, Márcio Gonçalves Bentes de Souza cresceu imerso nas tradições e nas histórias da Amazônia, elementos que marcaram profundamente sua produção literária. Márcio Souza iniciou sua carreira como crítico e produtor de cinema no ano de 1970. Aliás é neste ano que escreveu e dirigiu o filme A Selva, baseado no romance do escritor português Ferreira de Castro. Porém, foi na literatura que encontrou seu verdadeiro caminho, estreando com o romance Galvez, Imperador do Acre em 1976. A obra, que mistura ficção e história, tornou-se um clássico imediato e revelou ao Brasil e ao mundo um autor capaz de transformar a realidade amazônica em literatura universal.
Além de Galvez, Imperador do Acre, Márcio Souza escreveu outros romances que exploram as complexidades da vida amazônica, como Mad Maria (1980), que também se tornou uma minissérie de sucesso na televisão brasileira no ano de 2005. Suas obras são conhecidas pela crítica social e pela habilidade de narrar as contradições da colonização e da exploração econômica na Amazônia, sempre com um toque de ironia e humor.
Em 1990, Márcio Souza assumiu a direção do Departamento Nacional do Livro, e entre 1995 e 2003 presidiu a Fundação Nacional de Artes (Funarte). Ele também ocupou a presidência do Conselho Municipal de Política Cultural de Manaus. Em 1997, seu livro Lealdade foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte no gênero ficção. Como acadêmico, foi professor assistente na Universidade de Berkeley e escritor residente nas universidades de Stanford, Austin e Dartmouth, além de ter sido convidado como palestrante por instituições renomadas como a Sorbonne, Heidelberg, Coimbra, Universidade Livre de Berlim, Harvard e Santiago de Compostela. Em 2004, foi eleito para a Academia Amazonense de Letras, ocupando a cadeira nº 25.
A morte de Márcio Souza representa uma grande perda para a cultura brasileira. Sua contribuição não se limita à literatura; ele foi um defensor incansável da Amazônia, tanto em sua obra quanto em sua atuação pública. Por meio de seus livros, artigos e participação em debates, Souza sempre destacou a importância da preservação da Amazônia e a necessidade de uma maior compreensão das realidades socioeconômicas da região.
Aos amigos, familiares e admiradores, fica o consolo de que Márcio Souza vive através de suas palavras, que continuarão a ecoar nas mentes e corações daqueles que, como ele, acreditam na força da literatura como instrumento de reflexão e transformação.
O Brasil se despede de um gigante das letras, cuja voz, que tanto lutou pela Amazônia, silencia, mas cujo legado permanece imortal. Que sua memória continue a inspirar a defesa da nossa cultura e das nossas florestas, como ele tanto sonhou e lutou.

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